Apenas o grito a assistir à sua extinção.

Tuesday, October 10, 2017

Covardia ou sensibilidade?

Sou a favor do pulsar da vida. Da fluidez que lhe assiste.
E antes de qualquer entendimento científico sobre, já o era porque o sentia. 
Talvez porque tive uma infância com tempo e espaço sozinha na natureza. Relembro em flashes, cheiros e sensações o ritmo que me envolvia com o todo.
Sempre soube que era completo, pleno de vida, vibração.
Esse estado vive comigo e sempre condicionou minhas opções, em todas as fases da minha vida. 

Digamos que não aceito produtos farmacológicos como solução seja do que for.
E por o "normal" ser a aceitação sem especulação, eu torno-me na "aberrante anormalidade" - o ponto negro - a inconveniente ferida que contesta a ordem e a soberba que existe no meio médico.
Isto porque, conseguir falar com um médico/a com humildade e verdadeira relação, é utópico! 
(Existe na minha vida até agora, reais exceções, mas são completamente engolidas pelas esmagadoras experiências do contrário.
A partir do momento que nos encontramos sentados do lado de cá da mesa do consultório, espera-se submissão, ausência de questionamento e se negar a qualquer procedimento é para eles uma ofensa ao seu trabalho e ao seu "absoluto" conhecimento (viram as aspas, acrescentem mais umas quantas).

Na verdade, não existe relação entre médico e paciente, lidamos com um ego do tamanho do universo e por isso em expansão! Kkkk
Lamentavelmente, muito poucos nos ouvem para além da soberba académica que os eleva a um pedestal que não lhes permite ouvir e muito menos procurar uma compreensão. 

Contam-se pelos dedos as vezes que fui ao médico e nunca por doença. Porque
Estar grávida, não é sinônimo de doença. É um estado fisiológico inerente à condição feminina. Procurei acompanhamento quando achei que seria necessário à minha consciência e aos 3meses procurei no centro de saúde, começar a monitorização deste novo ser. 
Comecemos por esclarecer que fez 5 anos que meu pedido de transferência de médico de família, o qual não foi nem será aceite pelo que me foi dito. 
Dito, espantem-se pela médica e directora do Centro de Saúde em questão, porque eu não tenho minhas vacinas em dia e porque meus filhos não são vacinados.
Não fui nem queria criar discussão perante essa nossa decisão familiar, a qual temos o total direito de tomar. Como também sobre o indiscutível DIREITO à assistência do sistema nacional de saúde, para o qual descontamos e que nos foi suprida claramente com razões explícitas. 
Perante tal situação e sem margem para a discussão que achei até desperdício de Latim da minha parte.
Por não ter menos de 35 anos, protocolarmente sou encaminhada para o hospital da região. 
E, com carta selada, fui encaminhada de imediato para as urgências obstétrica do mesmo.
Fui, sem ter qualquer sintoma anormal e na minha inocência e desconhecimento dos funcionamentos do mesmo. 
Não me vou estender sobre a triagem cheia de perguntas insólitas e sem sentido, enfim... Pulseira azul. Era a pulseira que me cabia, já que não menti sobre o que sentia. Se esperei muito, esperei, mas foi o preço pela honestidade.

Quando me chamaram, já me tentaram responsabilizar por estar ali sem necessidade. Ao que tentei esclarecer que desconhecia os procedimentos protocolares e que se o médico do cc achava que devia estar ali, não contestei. Só que, ao prontamente explica-lo, o "sra doutora" não fluiu nem fluía até depois da sra quase me insultar, porque eu não a estava a chamar de sra doutora!!!! Minha intenção era esclarecer a situação, o que tornava o prefixo de estatuto completamente irrelevante. Acabou em discussão, visto a sra. achar que eu o fazia de propósito!!! Santa ignorância! E obviamente fui tratada com total desprezo... não me fizeram a ecografia que era suposto, porque tinham que me punir de alguma forma, mesmo que me tenham atribuído uma pulseira... A azul é para total desprezo e sem direito a qualquer assistência mínima?!

São estas mentes que nos assistem quando mais precisamos. Não era meu caso, eu sei... Mas não fui a responsável por estar ali.
Ainda não sei como as pessoas conseguem se sentir seguras perante estranhos carregados de insanos issues (falta-me o termo em português).

Estava grávida de 3 meses e procurar acompanhamento nesta altura é para muitos, uma irresponsabilidade punível aos olhos de qualquer um. Porquê? Porque aceitar o que vem, mesmo que venha deficiente é punível, e o oposto -aborta-lo não é?! Ou também é?
Isto tudo me confunde. Parece que o certo é julgar sempre, sejam quais forem as circunstâncias. 

Eu sei o que sinto e confio na capacidade do meu corpo. 
Não sou mãe de primeira viagem. Pari e fui dona dos meus partos. Fui eu e meus bebês que vivemos e fomos protagonistas desse belo e mágico processo.

Não consigo conceber a ideia de me mandarem fazer força, de ter que ficar em decúbito dorsal para garantir o conforto do sr/a doutor/a poder fazer os abusos que assim acharem no meu corpo.
Muitos falam, és uma mulher de coragem... Eu falo sempre, que sou a mais covarde que existe! Hospital para parir, só em caso de urgência. Porque parir é um processo normal na esmagadora maioria das vezes.

Não falo sem a segurança científica e o entendimento de todo o processo natural e do conhecimento de todas as intervenções médicas protocolares (muitas obsoletas) e suas cadeias de consequências no parto (mãe/bebê).

Farei novo post esclarecendo melhor o parto hospitalar vs parto natural. - que ainda são incompatíveis.

Este é um tema que me faz sentir meio incompreendida. Pois a ignorância nos faz aceitar situações que atribuímos a segurança. E por essas razões, muitas mães só se sentiriam em segurança entre médicos e enfermeiros que manipulam numa sequência de procedimentos protocolares como se de uma fábrica de produção em série se tratasse.

Sou bicho do mato, quanto mais sozinha, mais no escuro, quente e em silêncio ou com música que se queira melhor. No meu espaço, no meu ritmo. Só no meu domínio posso me fundir nesse processo.

Acho até que viraria selvagem a quem me tentasse manipular.
A real possibilidade de conseguir condições para parir com um plano de parto acordado entre mim e os profissionais de saúde obstétrica envolvidos, foi me vedada. E argumentar não serve de nada como é óbvio.

Acho que para a enfermeira, (que por sinal foi bastante atenciosa e cuidadosa na conversa), foi insólito ver uma mulher chorar pelas razões apresentadas. Perante a possibilidade de ter que me submeter aos procedimentos protocolares sem que se permita que meu corpo aja no seu tempo, é das maiores violências. É como um estupro, que não consigo consentir como primeira e única opção.

Parir num hospital.
Felizes dos que conseguem parir lá. Na verdade não vai parir, e sim delegar esse processo à mesa de produção em série, que se ocupará em efectuar um procedimento cirúrgico. Rápido e eficaz, independentemente de vontade, sentimento é intensão de quem o vive.

É preciso um desprendimento do seu corpo muito grande, quando se deveria estar em sintónica relação com seu corpo e o bebê.

Por isso, quem pare sendo dona de seu parto, se sente renovada, vital, animicamente carregada. Empoderada.

Mas a verdade é, que existe uma pequena percentagem que não o conseguirá sem ajuda médica. Faz parte da seleção natural da raça humana.
Porém tem muita ignorância, submissão no processo, medo e falta de autoconhecimento, que perde a possibilidade de enriquecimento próprio. Perde o seu parto. Perde uma oportunidade transcendente única. Lamentavelmente.