Apenas o grito a assistir à sua extinção.

Showing posts with label dor. Show all posts
Showing posts with label dor. Show all posts

Tuesday, June 14, 2016

Psiquiatrias psicóticas


A condição na qual nos encontramos não é problema. Problema é o que criamos na nossa mente... premeditar a acção, é permanecer fora da sincronicidade da vida.


No seguimento deste raciocínio, a sincronicidade trouxe:

isto

e isto


Esperar pelo avaliar analítico e limitado de qualquer profissional de saúde que não tenha uma visão holística do ser (corpo-mente-espírito), é se permitir ao engano.
Reconhecer o desequilíbrio pelo julgamento de outro, é se limitar de processos internos. Descomprometimento. Que é em si, legítimo.

Situações idênticas, revelam a repetição de situações ao longo da vida. Desafios que supostamente existem para que façamos os processos... se repetem até que o reconheçamos. E não existe nada de esotérico nesta elação. Apenas o reconhecer que somos energia e tudo se manifesta nessa base primeiramente.

Deixar que sua vida seja delegada por outra pessoa, é um risco tão grande quanto se delegar a si mesmo, - enquanto se identificar com a autoridade que sua mente exerce em si e nas suas reacções.

Procure a raíz do problema. Onde começa.
Ou permaneça no looping de vivências desarmónicas.
Livre arbítrio.
Porém a escolha é sempre sua... a consequência é sempre sua. Não do profissional de saúde, nem da fatalidade circunstancial, destino ou whatever.























Sunday, May 29, 2016

Experienciar


Vivemos o procurar de experiências.
Experiências que nos tragam a felicidade, realização, adrenalinas, ocitocinas, na verdade é tudo uma questão de hormonas, estímulos e cadeias de sensações.

Felicidades efémeras, que logo se torna a recordação de alegrias que são passados.
No presente, apenas a memoria... que nos caracteriza e nos torna o que pensamos ser.
Passamos a ser o acumulo de matéria e memórias.

Identidades, que defendem éticas pensadas, estruturas, hierarquias, posições, gostos, desejos, aspirações, sonhos, imagens... e procuramos saber. Saber é importante.
Acabamos por fazer incluir a educação/aprendizagem/cultura/valores com o nível de escolaridade. E continuamos a trazer ao mundo, sem discernimento, seres, que são a consequência das vontades, a uma realidade alheia ao ser humano íntegro.

Onde nos perdemos para nos encontrarmos tão distantes de nós mesmos?

Associamos inteligência a quem possui muito conhecimento. Sobre tudo e todos.
Saber, saber mais... estar informado, é viver do atrito... e somos bombardeados com conhecimentos, conteúdos aos quais damos muito valor, mesmo sem saber porquê.
E achamos que chegar a algum nível elevado de todas estas qualidades, será a tradução de auge da existência. Mas a felicidade continua a ser vivida aos soluços, pois existem sempre outras experiencias cada vez mais estimulantes, ou atractivas, exóticas, esotéricas... mais imagens, mais reconhecimentos, mais passados de presentes mornos, mais presentes mornos de passado. Ilusoriamente seguros. Num mecanismo onde se reproduzem padrões, só porque vivemos num sonho, no qual apenas temos que acordar. E tudo se repete, numa cega perspetiva de melhoramento.
Não existe alegria que dure, nem tristeza que perdure nesta existência incompleta e instável.
Tudo se experiencia e se julga viver intensamente, por viver situações que disparem a adrenalina.

Viver intensamente é viver, no aqui-agora, atento a si e aos seus sentidos, pensamentos, emoções... mas sem passado, sem identidade...
viver conectado com o coração e mente na mesma proporção, atento que somos a entidade que assiste a tudo. É desta conexão que sai a acção. É neste eixo de existência sintónica, naturalmente ordenada, que somos. É neste alinhamento que passamos a ter noção do poder que possuímos. Por o sentirmos vibrar.

É isto o viver de quem sabe quem é? Ou será isto o viver numa ideia sugerida e adoptada pelo sistema?















 

Friday, May 27, 2016

Momentum

Quando a mente percebe que não existe identidade, surge o medo.
Quando o coração percebe que não existe identidade, o medo não existe.
É o momento de pura coragem e reflexo de força, aceitar a morte do ego como identidade, e o renascer e assumir da entidade que somos.
Abraça esse momentâneo medo, atrás dele está o amplo e claro espaço de Ser.
É só a morte da morte em si.
Bem-vindo à vida! 

Sofrimento x Amor

Interessante ver que a pessoa que estiver/está submetida a situações de sofrimento, teve/tem a possibilidade de conseguir atingir um entendimento sobre si mesmo e/ou sobre a qualidade do momento.
Na verdade essas são as pessoas que estão mais próximas de se conhecerem e abraçar o que É.

Todos os momentos e oportunidades, acontecimentos de grande intensidade, poderão ser portais de libertação na consciência do que É.

Lidar com todos os processos do pensamento, criando medos e ansiedades, dores e sofrimentos. Estamos desconectados do nosso verdadeiro poder, desde o momento que nos identificámos com o pensamento. Nos achamos ser a voz que soa na cabeça... e temos a "estúpida" capacidade de falar connosco mesmos! Incongruente, não?

Temos a capacidade de nos observar. Se temos a capacidade de observar o pensamento, podemos observar que nossa existência continua a acontecer no espaço existente entre os pensamentos...

Temos pensamentos, mas não somos os pensamentos.

Perante situações em que o sofrimento toca a linha limite do humanamente suportável... chega-se a um ponto de saturação, em que sofrer já nos fere demasiado, e não existe outra opção do que: suspender a existência do sofrimento. Onde o silencio acontece e apenas te permites a existir... sem a tormenta da ideia que perpetua o sofrimento. 

No dia em que, entendemos que somos o que quisermos. Que temos esse poder estável, além da mente/centro/ego existir em tumulto fervilhante de conteúdo, e por isso instável, - resgatamos a nossa essência.













 

Thursday, May 26, 2016

Assistir III

O que é o amor?

Pergunta difícil(?)...

Ela requer o conhecimento sobre si mesmo e as sensações/emoções/sentimentos associados... e torna-se tudo uma confusão que se embaralha na garganta e não sai balbucio com sentido... depois desvia-se para o que "não é" ou "não deveria ser"... e assim se propaga o pensamento sobre... e se perde a verdadeira noção de que amor é a energia que tudo faz existir e é igualmente manifesta em ti.. tu, um ser que pensa ser autónomo a essa energia e dela se distancia, por se pensar separado. E dela se distancia, se distanciando de si mesmo. Ambiguidades...

E porque existe no amor, a instabilidade a que assisto? Porque não se está em amor. Porque existe uma dissociação do que se é, do que se pensa ser... e quem consegue viver nessa desarmonia a que chamam amor... o mundo, entre guerras e comandos, medos e pressões. Ilusões das ilusões. Pensamento sobre ideia, sobre ideia que se quer acreditar sem assistir.

O extermínio a que assisto o da Humanidade.

A perfeição do equilíbrio a se fazer manter. Tudo é perfeito.


















 

A ilusão do "Eu"

Onde há actividade do «eu», a meditação não é possível. É muito importante compreender isto, não verbalmente mas de facto. Meditação é um processo de esvaziamento da mente de toda a actividade do «eu». Se não compreendermos a actividade do «eu», a nossa meditação apenas leva à ilusão, ao auto-engano, a mais distorção. Portanto, para se entender o que é meditação temos de compreender a actividade do «eu».
O «eu« tem tido milhares de experiencias mundanas, sensuais, ou intelectuais, mas está farto delas porque não têm qualquer significado. O desejo de ter experiências mais «expansivas», mais «vastas», transcendentes, faz parte do «eu». Quando se têm tais experiências, ou visões, temos de ser capazes de as reconhecer, mas se as reconhecemos elas deixam de ser novas, passam a ser projecções do nosso passado, do nosso condicionamento, nas quais a mente se entretém julgando que elas são algo de novo. Não estejam de acordo, mas vejam a verdade do que está a ser dito, e isso passará a fazer parte de cada um de vós.
Um dos desejos fortes da mente, do «eu», é mudar o que é para o que «deveria ser». Ela não sabe o que fazer com o que é porque não é capaz de o resolver e, portanto, projecta uma ideia do que «deveria ser», que é um ideal. Esta projecção é a antítese de o que é, originando portanto, um conflito entre o que é e o que «deveria ser». Esse mesmo conflito é o sangue e o respirar do «eu».
Uma outra actividade do «eu» é a vontade – a vontade de vir a ser, a vontade de mudar. A vontade é uma forma de resistência, na qual fomos educados desde a infância. A vontade torna-se extraordinariamente importante para nós, economicamente, socialmente e religiosamente. A vontade é uma forma de ambição, e dela nasce o desejo de controle – controlar um pensamento por outro pensamento, controlar uma actividade do pensamento por outra actividade do pensamento. «Devo controlar o meu desejo»: o «eu», como «observador». O observador é o passado, com todo o conhecimento acumulado, experiencias e memórias. Assim, o «eu» separa-se a si próprio do «tu» (o observado) como sendo o observador. «Nós» e «eles». Enquanto as actividades do eu – enquanto o «eu» como observador, como controlador, como vontade, como o «eu» que deseja experiências – existirem, a meditação torna-se um meio de auto-hipnose, uma fuga da existência diária de todas as desgraças e problemas. Enquanto existirem essas actividades, tem de haver ilusão e engano. Temos de ver a realidade, não verbalmente mas de facto, de que uma pessoa que investiga a meditação, que quer ver o que acontece, tem de compreender todas as actividades do «eu».
Meditar é esvaziar a mente da actividade do «eu». E não podemos fazê-lo através de qualquer prática, de qualquer método, ou pedindo: «Diz-me o que hei-de fazer.» Portanto, se estamos realmente interessados neste assunto, temos de descobrir por nós próprios a actividade do nosso «eu« - os hábitos, as afirmações verbais, os gestos, as ilusões, o sentimento de culpa que cultivamos e mantemos como se fosse uma coisa preciosa, em vez de nos desfazermos dele, os castigos – todas as actividades do «eu«. E isso exige grande atenção.
Ora, o que é ter atenção? Atenção implica uma observação em que não há qualquer escolha; há apenas observar, sem interpretar, traduzir, ou distorcer. E isto não acontece enquanto houver um observador que está a tentar ter atenção. Será que podemos estar atentos, de tal modo a que nessa atenção só haja observação e não «observador»?
Reparem nisto. Ouviram ou leram esta afirmação: a atenção é um estado da mente no qual não há o observador que escolhe. Imediatamente queremos pôr isso em prática, em acção. Perguntamos: «O que faço? Como é que vou estar atento sem o observador ?» Queremos uma actividade imediata – o que quer dizer que não escutámos verdadeiramente essa afirmação. Estamos mais interessados em pôr a afirmação em acção do que escutar o que a afirmação nos diz. É como olhar uma flor e cheirá-la. A flor está lá, a sua beleza, a cor, o seu encanto. Olhamos para ela, colhemo-la e começamos a desfolhá-la. E assim procedemos quando escutamos a afirmação de que na atenção não há observador, porque se o observador está presente, então temos o problema da escolha, do conflito. Ouvimos o que foi dito e a reacção imediata da mente é: «Como é que vou fazer isso?». Assim, estamos mais preocupados com a acção, do como vamos fazer, do que como escutar o que realmente se está a dizer. Se o escutássemos de um modo completo, então respiramos o seu perfume, a sua verdade. E esse perfume, essa verdade, é que actua, não o «eu» que está lutando por agir correctamente. Perceberam bem isto?
Portanto, para se encontrar a beleza e a profundidade da meditação, temos de investigar as actividades do «eu», o qual é criado pelo tempo. Assim, temos de compreender o tempo.
Não façam nada acerca disso, escutem apenas. Descubram se é verdadeiro ou falso. Observem apenas. Escutem com o coração, não com uma mente limitada.
Tempo é movimento, tanto fisicamente como psicologicamente. Fisicamente, para nos deslocarmos daqui para ali precisamos de tempo. Psicologicamente, o movimento do tempo é para mudar o que é no «que deveria ser». Estamos a dizer que o pensamento é o movimento do tempo. Isto porque ele é a resposta dos conhecimentos adquiridos, é a experiencia, é a memória, que é tempo. Portanto, o pensamento nunca pode estar sereno. O pensamento nunca pode ser novo. O pensamento nunca pode originar liberdade.
Quando estamos conscientes do movimento do «eu» em todas as suas actividades – ambições, busca de realização pessoal, relacionamento – disso surge uma mente que está em completa quietude. Não é o pensamento que está quieto – percebem a diferença? A maior parte das pessoas tenta controlar os seus pensamentos, na esperança de trazer serenidade à mente. Conheci muitas pessoas que praticaram durante anos tentando controlar os pensamentos, esperando conseguir uma mente realmente aquietada. Mas eles não viam que o pensamento é um movimento. Podemos dividir esse movimento em o observador e o observado, aquele que pensa e o pensamento, o controlador e o controlado, mas isso continua a ser movimento. E o pensamento nunca pode estar quieto: se está quieto, morre, portanto, ele não tem possibilidade de estar quieto.
Se caminhamos bem fundo em tudo isto, em nós próprios, então veremos que a mente se torna completamente serena – não forçada a isso, não controlada, não hipnotizada. E ela terá de aquietar-se porque é somente nessa quietude que algo novo e irreconhecível pode acontecer. Se forço a minha mente a estar quieta através de vários truques e práticas, de choques, então isso é o aquietar-se de uma mente que lutou com o pensamento, que controlou o pensamento, que o reprimiu. Isso é totalmente diferente de uma mente que compreendeu a actividade do «eu», que viu o movimento do pensamento como sendo tempo. A própria atenção a todo esse movimento cria a qualidade da mente que está em total serenidade, e na qual algo absolutamente novo pode surgir.
A meditação é o esvaziar da mente de toda a actividade do «eu». Levará isso tempo? Poderá o esvaziamento, ou antes – é melhor não usar a palavra esvaziamento, ou antes – é melhor não usar a palavra esvaziamento, porque esta pode assustar-vos – poderá este processo do «eu» extinguir-se através do tempo, através dos dias e dos anos? Ou poderá ele cessar instantaneamente? Será isto possível? Tudo isto faz parte da meditação. Quando dizemos para nós mesmos: Ver-me-ei livre do «eu» gradualmente, isso pertence ao nosso condicionamento, e, entretanto, vamo-nos divertindo. Quando usamos a palavra gradualmente, isso envolve tempo e durante esse período de tempo fazemos aquilo que nos dá mais satisfação – todos os prazeres, todos os sentimentos de culpa que acarinhamos e sustentamos, toda a ansiedade que nos dá um certo sentido de viver. E para nos livrarmos de tudo isso, afirmamos: «É preciso tempo». Esta atitude faz parte da nossa cultura e do nosso condicionamento da evolução. Será que demorará tempo fazer cessar psicologicamente as actividades do «eu»? Ou não será preciso tempo, mas sim a libertação de uma nova espécie de energia que porá tudo isso de lado instantaneamente?
Será que a mente vê de facto a falsidade da afirmação de que é preciso tempo para dissolver as actividades do «eu»? Será que vejo claramente essa falsidade? Ou intelectualmente, penso que não pode ser desse modo, e continuo a pensar assim? Se eu vejo de facto a falsidade disso, então acabou-se, não é? O tempo não entra neste processo. O tempo apenas é necessário na análise, quando há uma inspecção ou estudo de cada pedaço que constitui o «eu». Quando vejo todo o movimento disto como sendo pensamento, isso não tem validade, embora o ser humano o venha aceitando como inevitável. E porque a mente vê essa falsidade, há um terminar.
Não caminhamos até demasiado perto da beira de um precipício, a menos que sejamos mentalmente desequilibrados, para depois nos despenharmos; se formos saudáveis permanecemos longe desse precipício. O movimento para nos afastarmos não exige tempo, é uma acção imediata porque vemos o que nos aconteceria se continuássemos em frente. Do mesmo modo, se percebermos a falsidade de todo o movimento do pensamento, da análise, da aceitação do tempo, etc., então há uma acção instantânea do pensamento, como sendo «eu», pondo fim a si mesmo.
Uma vida religiosa é uma vida de meditação, na qual as actividades do «eu» não estão presentes. E é possível neste mundo, no dia-a-dia viver uma vida assim. Isto é, pode-se viver uma vida em que haja vigilância constante, atenção sem esforço, e uma mente muito atenta ao movimento do «eu». E essa atenção é uma atenção a partir do silêncio, não a partir de uma conclusão. Tendo a mente observado as actividades do «eu» e visto a falsidade do que observou, ela torna-se extraordinariamente sensível e silenciosa. E, partindo desse silêncio, ela actua na vida diária.
Compreenderam o que foi dito? Partilhámos isso juntos? Porque se trata da vossa vida, não da minha. É a vossa existência de dor, de tragédia, de confusão, de sentimentos de culpa, de prémios e de castigos. Tudo isso é a vossa vida. Se houver serenidade em vós, tereis de clarificar o que se passa convosco. Ler um livro, seguir um mestre, ouvir alguém, não resolve os problemas. Os problemas permanecem enquanto a mente humana se mover dentro do campo da actividade do «eu»; esta actividade do «eu« tem de criar cada vez mais problemas. Quando observamos, quando nos tornamos muito conscientes dessa actividade do «eu», a mente passa a estar extraordinariamente serena, saudável, sagrada. E, com base nesse silêncio, a nossa existência, em todas as actividades diárias, transforma-se.
Religião é o findar do «eu», e é também acção que nasce nesse silêncio. Uma vida assim é sagrada e cheia de sentido.”        

J.K.

Beleza no Relacionamento

O pensamento é um movimento, que cria um espaço entre o que é, o facto real, e o que «deveria ser», o ideal. E ele é também o tempo para cobrir esse espaço. Assim, o pensamento, sendo um movimento da mente, é também tempo (tempo psicológico).
Mas haverá algum tempo quando só existe a observação de o que é, sem nenhuma evasão para o que «deveria ser»...?
Compreender isto é muito importante para a mente, porque o pensamento pode criar imagens maravilhosas daquilo que é sagrado. Todas as religiões o têm feito. Todas elas são baseadas no pensamento, organizado em crenças, dogmas, em rituais. Assim, a não ser que haja uma completa compreensão do pensamento como sendo também tempo e movimento, a mente não é capaz de ir para além de si mesma.
Somos treinados, educados, para tentar transformar o que é no que «deveria ser», o ideal, e isso cria tempo. Todo esse processo, todo esse movimento do pensamento para cobrir o espaço entre o que é e o que «deveria ser» é esse tempo para transformar o que é no que «deveria ser». Mas o «observador» (o «eu», com todo o seu condicionamento) é aquilo que é observado, portanto, não há nada para mudar: há apenas o facto, o que é. O «observador» não sabe o que há-de fazer com o que é (como por exemplo, a cólera ou o ciúme que sente), e assim tenta vários métodos para mudar o que é: controla, tenta reprimir o que é. Mas o «observador» é o observado: o que é é o «observador». A cólera, o ciúme são também o «observador»; não existe ciúme separado do «observador» - ambos são um só. Quando não há nenhum movimento, nenhum pensamento para mudar o que é - a cólera ou o ciúme - então estes deixam completamente de existir porque o «observador» (o «eu») é o observado.
Investigai isto muito profundamente e vereis. É realmente bastante simples: Se «eu» sinto antipatia por alguém, a antipatia não é diferente do «eu». A entidade que antipatiza é a própria antipatia; n-ao está separada dela. Mas quando o pensamento diz, «Tenho de dominar a minha antipatia», então isso é um movimento no tempo criado pelo pensamento, para dominar o facto, aquilo que realmente é. Assim, o «observador» - a entidade, o «eu» - e a coisa chamada «antipatia» são o mesmo. E então, quando isso é percebido, há completa imobilidade.
Não é a imobilidade daquilo que é estático. É a completa ausência de movimento do pensamento e é, portanto, completo silêncio da mente.
Assim, o tempo como pensamento a tentar conseguir um resultado acaba totalmente e, portanto, a acção é instantânea. Deste modo, a mente construiu a base que a liberta do conflito, da desordem. E floresce com a beleza da virtude, da integridade.
É nessa beleza que se baseia o verdadeiro relacionamento entre cada um de nós e o outro. Nesse relacionamento não há nenhuma interferência da imagem que se tem do outro: há só um autêntico relacionamento, e não essa imagem a ajustar-se à imagem que o outro tem de nós. Apenas existe o que é e não a tentativa de mudar o que é. A tentativa de mudar ou transformar o que é é o movimento do pensamento no tempo (que ele próprio cria).
Quando chegamos a esse ponto (em que só existe o que é), a mente e também as células do cérebro ficam totalmente quietas. O cérebro que conserva as memórias, a experiência, o conhecimento acumulado, pode e deve funcionar no campo do conhecido. Mas agora esse cérebro está liberto da actividade do tempo e do pensamento. A mente está então completamente tranquila. E tudo isto acontece sem esforço algum. Tudo isto tem de acontecer sem nenhum sentido de «disciplina», de controle, os quais têm relação com a desordem.
Como vêem, o que estamos a dizer é completamente diferente do que gurus, os «mestres», os filósofos do Zen dizem, porque o que dizemos não leva a aceitar a autoridade de outro, nem a seguir alguém. Se seguimos alguém, estamos a destruir-nos a nós mesmos, e também ao outro. A mente verdadeiramente religiosa não segue autoridade alguma. É inteligente, e aplica essa inteligência. No mundo da acção há a autoridade do cientista, do médico, do homem que ensina a guiar um carro, mas no campo espiritual não há nenhuma autoridade, não há nenhum guru.
Se examinámos profundamente tudo isto, a mente então cria ordem no relacionamento, e compreende toda a complexa desordem do nosso viver diário. Da compreensão dessa desordem, do reparar nela sem nada escolher, nasce a beleza da integridade - que não é «cultivada», que não é produzida pelo pensamento. Essa integridade, essa virtude, é amor, e se a mente tem esse amor, que é ordem, profundamente enraizado já não tem nenhuma agitação. E somos assim capazes de perceber todo o movimento do tempo. A mente está então em completa quietude: já não há nenhum «observador» (separado daquilo que observa), nenhum «experienciador», nenhuma interferência do pensamento.
A mente está assim livre para observar. Então, há aquilo que, através dos séculos, o homem tem procurado: o Intemporal, o Inominável. Não é possível expressá-lo verbalmente. E a imagem que o pensamento tem criado dele deixa completamente de existir, porque não há nenhuma entidade a desejar expressá-lo em palavras. A nossa mente só pode descobri-lo ou encontrá-lo, quando temos em nós essa realidade extraordinária chamada compaixão, amor - não só pelos seres humanos mas também pelos animais, pelas árvores, por todas as coisas.
Então, com esse amor, a própria mente torna-se sagrada.

Krishnamurti

Ambíguo

Nostalgia, quando falas e não és entendido.
Quando não se faz luz, ainda não...
Quando percebes quão longe o entendimento está da noção de que falo... onde a mesma palavra têm significados diferentes...
Trágico entender que existe essa gradualidade de intensidade.
Por haver quem se permita à existência morna.
Mal-entendidos e ambiguidades existem, quando não existe entrega em tudo o que viveu!´
Trágicos mal-entendidos que apenas reflectem que se vive não se permitindo à linguagem única do coração.
Porque se privam de viver intensamente?!
Que medo é esse?
Saberão onde acaba ou começa o vosso corpo?
Saberão onde deixam de ser ar para ser corpo, ou saberão onde deixam de ser corpo para ser ar?

"Ambiguidades que vencem pelo cansaço"

Wednesday, May 25, 2016

Observar

Observar a vida, é ser júbilo.

é a magia da vida, o mistério dos deuses tão procurado... uma tão trivial verdade como: "é no agora que a vida acontece".

cuja sua interpretação é proporcional ao conteúdo que a analisa.

se partir de um centro, ego, personalidade - ela é algo inatingível.

se for só o observar disso mesmo, em tempo real. - plim -

é.

Tuesday, May 24, 2016

Atenção

Atenção é um imenso poder.

Tendenciosamente, nos identificamos com essa atenção. Mas se percebermos profundamente que "atenção" é uma qualidade que podemos usar... então experienciamos a libertação.

Pois a atenção pode até se observar.

E é nesse espaço que observamos o tempo a mudar, e tua plenitude permanecer inalterável. Sem ruido.

Não somos esse condicionamento.

Atenção.

Sabemos

Não se trata de fazer acreditar.
Todos aos poucos vão chegando a um ponto de saturação, depressão, doença... ponto máximo de suportabilidade de todo o condicionamento anti-natura que se cria.

É humanamente insuportável.
E podes até te convencer que tem que ser. Que é o que é suposto. E tentar ser feliz com essa realidade. Mas...

Sabemos bem no nosso âmago, bem no nosso profundo sentir, que existe uma inquietude... uma quase incoerência, que dá erro, sempre que se sente felicidade.
Podes até senti-la, mas ela será efémera.

E haverão dias cinzentos, haverão dias de sofrimento... e haverão os que são de plenitude... efémera plenitude... porque o centro logo se faz sentir. A mente logo dispara questões, imagens, memorias, emoções que não sabemos de onde veem. Que só não se compreendem, porque estamos alheados ao que somos.

Como nos poderemos contentar com tamanha imperfeição... como se fossemos condenados à nascença como um erro de fabrico... como nos podemos aceitar sem descobrirmos o que somos?

Descobrir, não adquirindo informação, contexto. Apenas sentindo, sendo, estando. Comungar dessa permanência de movimento que é. Que tudo é.

Se o erro é apenas o perpetuar da crença de que somos personalidade/corpo confinada a existência sofrida. Ou que temos que ir à procura do que somos. Quando temos, não somos. E assim, nos condenamos per si.

E Ir à procura do que somos experienciando, sem ter a noção do que se é. É viver na ilusão da procura, do atingir do prémio que nunca virá. Quando as experiencias estão todas aí para serem vividas em consciência.
O ego, procura experiencias. Só assim ele se mantêm vivo. Pois ele é o registo de toda a vivencia. Logo não passa de uma ideia, que nos deixa à parte do que somos.

A Consciência está aqui. Só sintonizar. Ser.



 

Be


A dificuldade que existe/resistência que cada um pode sentir ao que falo, é proporcional à intensidade em que cada um acredita na sua personalidade como identidade/corpo. E é só esta a crença que cria a fronteira.

Vos falo num lugar que não é mais identidade, mas sim a consciência da conversão da consciência da consciência.
Do ponto de vista humano, a consciência é muito limitada e sempre instável. Pois é reflexo de um centro/ego. E o que uma pessoa aprende hoje, esquece amanhã.

Mas se não estiver comprometido com o coração, na vivencia, isto será só uma história, na qual você quer acreditar.

E quando acreditamos em algo, se não há comprometimento com o coração, essa crença não se sustentará e acabará por criar um enorme stress, doença... E nunca o conseguirás ter/agarrar/alcançar... simplesmente porque não é uma questão de ter, mas de ser.

Acreditar que teremos alegria tendo como base um ego, é condenar a vida à inconstância.

E este é o desafio - transcender as limitações do nosso condicionamento. E isto é um erro, se for um acreditar. Trata-se apenas de uma correcção no tempo/espaço/pensamento.

É no Agora que a magia se faz.



 

Sunday, May 15, 2016

A rebeldia de SER


A verdade é uma agressão à mente quando nela existe centro. Quando existe leitura e registo e análise, comparação e avaliação. Deixa de existir a noção de que tudo isso é separação.

Nossa mente a qualquer momento, pode sair do registo de cópia e começar a apenas a viver. Viver a real "novidade" a cada momento. Sem que nada se repita. E quando acontecer, saberão que aconteceu, pois é como um choque eléctrico... é uma expansão da energia, ou melhor - é um acordar celular, para a energia da vida. Energia que é um poder fervilhante, efervescente de movimento constante. Que sempre está ali. Disponível a quem se sintonize consigo mesmo.
Nunca nada é igual. Nunca nada pára de mudar. E tudo, se move na frequência exacta a que está, e os loopings que se repetem em ciclos/círculos, se tornam mais expansivos. abrem e permitem a expansão. Surge a espiral. O micro igual ao macro. Fractal do universo que somos.

E tudo o que escrevo é a simplicidade da utilização do que existe no ser que sou. É esta a única comunicação - relação que existe. É só o que faz sentido falar sobre. De resto, só o silêncio para comunicar. E é deste nada que surge o tudo... e é então que sentes que com essa consciência, falas sobre tudo, sobre tudo em todo o lado... pois morreu o ego que preserva a imagem da ideia que é o seu "eu". Resta apenas "Ser".

E a VIDA acontece na fluidez, perfeita da perfeita perfeição que é a inconstância do movimento que é dança. Dança que serpenteia pelas ondas do amor. E o corpo, descansa e liberta e respira e vive na mesma dança. O equilíbrio.

E isto não é mais que o perfeito bailado do pensamento nessa dança. Já dançaram hoje?

Friday, May 13, 2016

Autoconhecimento é liberdade

Temos que ser interiormente livres para sermos uma luz para nós próprios.
Luz, que não pode ser dada por ninguém, nem a ninguém.
Estamos condicionados para aceitar a autoridade - autoridade de um sacerdote, de um livro, de um guru, a autoridade que diz que sabe. Em todas as questões "espirituais", não deve existir autoridade, de outro modo não podemos estar livres para descobrir por nós mesmos, o que a meditação "significa".

Para meditar, precisamos de estar interiormente livres de toda a autoridade, de toda a comparação - inclusive a autoridade desta voz, que vos fala, pois seguir o que outro diz, não é investigar. Livrar de qualquer autoridade, seja de outro ou da ideia da nossa própria existência (com nossos conhecimentos acumulados, das nossas conclusões, dos nossos preconceitos).

As nossas próprias experiencias, a nossa compreensão pessoal das coisas, também se tornam a nossa própria autoridade ... Temos que ser conscientes de todas as formas de autoridade. De outra forma não podemos ser a luz para nós próprios.
E quando somos uma luz para nós próprios, somos uma luz para o mundo, porque o mundo somos nós e nós somos o mundo.

Desta forma, não existe ninguém para nos guiar, incentivar ou nos dizer que estamos a "progredir". Para meditar temos que nos limpar de influencias.
Esta luz pode apenas surgir quando investigarmos em nós aquilo que somos. Isso é estarmos atentos a nós mesmos, para sabermos o que somos.

Não se trata portanto de uma descrição dada por outro, nem do que pensamos que somos, nem o que pensamos que deveríamos ser - mas do que realmente é, do que de facto se está a passar em nós.

Tem de haver liberdade para observar, e é nessa observação que toda a estrutura do que somos, nossa natureza, começa a revelar-se.

Muitas poucas pessoas, vos dirão tudo isto, pois muitas outras têm seus interesses próprios, querem formar grupos, organizações, etc.

Para haver a compreensão de si mesmo, tem de haver observação, e essa observação só pode acontecer agora.

E isto não significa ser o passado a observar o agora - observar o agora a partir das minhas conclusões passadas, dos meus preconceitos, esperanças e medos...

Tem que ser observação do presente, no próprio acto de o realizar.

Quando estamos irritados, quando sentimos emoções - temos que observar tal como é. o que significa não o condenar, não o julgar, observa-lo e deixa-lo florescer e murchar, desaparecer.

Quando o fizermos, não ficamos mais irritados. Essa observação (sem passado como base/principio/centro) produz uma mudança. E ao fazermos isso não há autoridade. Então não pedimos a alguém que nos diga como proceder. No próprio observar há a acção, há a mudança. Experimentem!

Liberdade para observar, implica ausência de autoridade. Então, a busca de experiencias que geralmente queremos ter, terminará. Porquê?

Todos os dias temos vários tipos de experiencias, que vamos registando. E esse registo torna-se memória, distorce a observação.

ex:
Se somos cristãos, temos um condicionamento de 2mil anos, relativamente às nossas crenças, dogmas, rituais, à existência de um Salvador, e queremos ter "experiencias" relacionadas com isso.
Teremos essas "experiências", obviamente porque é esse o nosso condicionamento.
Na Índia, têm centenas de deuses e estão condicionados em relação a isso, e assim têm visões desses deuses, porque vêm de acordo com o seu condicionamento.

Quando estamos fartos das "experiencias" físicas, queremos outra espécie de "experiências" - a experiência espiritual, para descobrirmos se há deus, para termos visões, etc... Teremos experiências de acordo com nosso condicionamento particular, evidentemente. Porque nossa mente está condicionada dessa maneira. Precisamos de ter consciência disso e de ver o que está implicado nas "experiências".

O que está implicado nessas experiências?

Tem de haver um experienciador para experienciar.

O experienciador é tudo aquilo que ele deseja experienciar. Tudo aquilo que lhe foi transmitido, todo o seu condicionamento. E deseja experienciar algo a que chama "Deus" ou "Nirvana", ou seja o que for. Ele experienciará isso.

Mas experiencia implica re-conhecimento, e re-conhecimento implica que já se conhece. Não é novo. A mente que procura experiência está realmente a viver no passado, e não é capaz de compreender algo totalmente novo, original. É necessário nos libertarmos do desejo de experiencias "espirituais".

Observar de um estado de não saber/ser, investiga-se e encontra-se realmente a verdade, a certeza.
A partir desse observar - vazio, nasce a fluidez natural. A vida tem um sentido totalmente diferente. Nunca é superfícial e tudo  o que importa está aí.
 

Thursday, May 12, 2016

Verdade

Somos o que pensamos.

Estar aware/atentos a nós mesmos, permite que tudo seja uma escolha. E que tu não sejas nada que não queiras.

Tuas atitudes passarão de reacção espontânea, para uma acção consciente.

Muitos sentirão a irritabilidade de tal verdade. Por sentirem a incapacidade e domínio sobre si mesmo! Só porque o desejam. Mas não se foquem no sentir. Percebam que as sensações, emoções e desejos são na realidade produto do pensamento e por isso de uma personalidade.

Estar atento, é ser o mais honesto consigo mesmo! É perceber o que somos, além das máscaras que possamos ter. E ir tirando as camadas que pesam como fardos. Nos tornam cansados de teatros. Nos fazem sentir vontade de escape...

Saber, é uma armadilha. Saber que temos que ter bons pensamentos, é estar fora e muito longe do que é. A acção acontece agora.
Saber é informação. E ao longos dos tempos, achámos que nos teríamos que munir da mesma para podermos evoluir...e construímos uma evolução técnica, material... mas distanciamo-nos consideravelmente da noção de ser. 

Conhecimento pratico é importante sim, para que possamos suprir necessidades básicas de forma criativa e cada vez mais integrada no planeta. Porém, incluímos o Ser, no tamanho de conhecimento que se adquire. E vamos acomulando a memoria com informação para que ela nos possa levar a algum lado... para que não nos sintamos tão perdidos e sem sentido. (padrão para desequilíbrio/doença)

E este é um caminho limitado. Limitado pelo tempo de nossa vivencia... pois poderemos acomular informação até morrermos. E muitas vezes é no leito da morte que alguns entendem que em sua vida, nunca foram o que são, e é aí que perdoam e pedem perdão. Por haver um abandono e desfragmentação do que são. Quando, o fazem sem o medo do chip do "julgamento final", claro.

Informação, nos distancia do momento. Remete a abstracção ideológica do que é, e imaginar, não é ser. Pederemos pensar que são veículos, porém... na verdade, atrasam um processo que pode acontecer aqui-agora. Enquanto precisarmos de fazer alguma coisa para ser, caímos na ideia do que somos, e do que seremos. O observador e o observado separados pelas histórias que adoptamos, separados pelo factor tempo. Tempo que não existe!

Por isso vale a pena questionar, questionar tudo. E ir desconstruindo das camadas mais externas às camadas mais internas. Numa espiral fractal.



É a espiral que se torna concêntrica para se voltar a abrir em seu total poder.

Informação, não é prejudicial. Prejudicial é o que se faz com ela.

Por isso, é preciso haver vazio, para que novo espaço se possa encher. E encherá, sem informação, mas com a percepção da perfeição que é(s).
Basta nos permitir.




















 

Wednesday, May 11, 2016

Onde não há liberdade, não há Amor, não há verdade.


Não vos convido a acreditar.
Convido a meditar.

O que é o Amor?



Obrigada a todos os que intervierem nos comentários, bem como aos que não intervierem.

(restante texto acontecerá entre comentários e respostas aos mesmos, ou não)

O que é Meditar


Existe um numero curioso de técnicas de meditação.
Meditação zen, zazen, meditação activa, meditação passiva...
Na verdade meditar é um estado, uma condição. Faças tu o que fizeres. Qualquer trabalho pode ser efectuado enquanto meditas. Melhor dizendo, é uma condição, a partir da qual, após a sentires, não voltarás mais à desordem mental antes vivida.

 Meditar, é descobrir o espaço que há entre os pensamentos. E para tal, ao contrario do que muito se crê, não passaremos a dominar os pensamentos. Eles não irão embora, se os mandares embora. E se ficares chateado porque és absorvido por torrentes de pensamentos, ele ainda será pior. E não se pretende negar nada de nós, pois o centro existe como o holos que somos. Negar o pensamento além de incoerente é utópico.

Mas é tudo uma questão de abandono, de deixar de dar atenção aos pensamentos, esse espaço vai abrindo. E ele é cheio, cheio de energia! Ou, podes através do pensamento ir desconstruindo o próprio pensamento e perceber seu limites e condicionamentos...

Por isso, qualquer um pode chegar à iluminação, a qualquer momento! Sem qualquer técnica, ritual, tradição, condição...

Não que o ritual não te possa levar lá... a diferença é, que poderás muito bem, ficar ainda mais aprisionado a um conceito pois nele sentiste verdade... e assim vai mais uma religião... passarás a acreditar que algo exterior à tua existência, te permitiu chegar. E começarás a criar, pois precisas de criar segurança nesse sistema... e não existe sistema que tenha verdade, sendo ele uma prisão do teu pensamento.

Onde não existe liberdade, não há amor, não há verdade.

Sejamos verdadeiros, honestos - sérios... e isso só será possível quando nos despirmos de todas e quaisquer ideias!


 

Ordem

Observamos os meandros do sofrimento da sociedade, e conseguimos perceber o como  cada individuo está doente.
Presenciamos os quantos procuram ajuda na cura, e sempre que convidados a olhar para dentro... se dispersam em pensamentos e ideias e fronteiras... os loopings de acontecimentos se repetem e a situação só vai acomulando, ficando pior ou no perpetuar da manifestação.

Vivemos fora de nós. O pensamento anda momentos, horas, dias, semanas, meses, anos... à frente ou atrás no tempo. E aceitamos esse distúrbio, como aceitável, porque?
Porque, temos uma ideia do que somos. E essa ideia é construída sobre os alicerces do medo. Medo esse, que vivemos tentando uma felicidade, procurando um sentido que traga segurança. Aí sim, poderemos repousar. Seguros de que nenhum sofrimento iremos sentir. Mas a felicidade não vem... porque? Porque temos medo de perder essa segurança. E se temos medo, procuramos maior segurança. Haverá sempre uma nova solução mais segura... para todas as procuras há todas as ofertas.

Temos andado a ver mal a espiral da vida... ela n vem de fora para dentro... ela vai de dentro para fora que volta para dentro.
Observem os fractais na natureza.

O que será que está a desarmonizar o que é harmonioso na sua natureza?
A ideia do que somos. simples.

Somos projecções de ideias e memorias que criam uma ambiência, que achamos que é o que somos. Mas apenas estamos a criar. De toda a informação que selecionamos, o que fazemos dela é produto de nossa manipulação. Esse é o verdadeiro poder da mente. É o verdadeiro sentido da arte. Porém nós não somos a mente. Também não somos só corpo. Somos uma manifestação de criação que atravessa dimensões.  É vibração pura.
Então, como poderemos ficar nos meandros únicos das personalidades, quando isso é apenas uma tradução de conceitos e preconceitos construídos pelas influencias/condicionantes socio-morais-culturais-religiosas?! Isso seria ser uma ideia, de ideias, de ideias!!!

Para entendermos a ideia, temos que desconstruir o pensamento com o nosso próprio pensamento - esta pode ser a função mais reveladora que ele pode vir a fazer na tua vida!

A verdadeira meditação...














 

Tuesday, May 10, 2016

somos


A existência tem sido o enigma da humanidade desde sempre.  Aliás é essa a condição que nos distingue dos restantes seres vivos – temos a capacidade de pensar. E pensando isto, nos convencemos que seremos eternamente superiores a eles. Mas estaremos? Observamos a natureza e vimos cada ser vivo completamente integrado numa rede essencial de relações intrínsecas à sua sobrevivência e equilíbrio do ecossistema.
E isto não é um discurso que apela à preservação da natureza e das alterações climáticas, que os media nos injectam. Até porque tudo isso sempre, existiu e nada mais é do que as alterações cíclicas de restituição do equilíbrio na terra.

Mas esta é sim, uma reflexão a observação do que somos e de como estamos.

Vemos como os animais agem, sintonicamente e atentos a tudo. Todos os seus sentidos estão em função, e nada acontece além do instinto e sintonia energética com o meio, biosfera. Seu corpo vibra em sintonia constante de existência.

E o mais absurdo é ver que é precisamente por termos a capacidade de pensar, que tamanha simplicidade se torna um desafio tremendo na sociedade.
Chegamos ao cúmulo, de estar tão desagregados de nós mesmos e do meio, que a vibração altera-se e torna-se tão vulnerável que cria pequenos surtos de des-sintonia. Desaprendemos até a respirar! Perdemos o total pulsar cadente com o todo (natureza) e portanto connosco (nosso centro).

Este é um território para a assincronia celular acontecer, para a doença se instalar…

Dessa forma o corpo nos fala dos limites. Pois ele possui o equilíbrio e a capacidade regenerativa para se curar. E tal precisão acontece sempre que estamos ligados. Só aí o corpo respira como tem que respirar, só aí o metabolismo se restabelece naturalmente, na cadencia rítmica que possui.
E é por pensarmos que nos distanciamos de nós mesmos. Não porque o pensamento existe. Não. O pensamento é nos útil para as questões praticas. Mas é pela forma como nos pensamos ser.

Pensar sobre, nos remete invariavelmente para o Nascimento. Para o novo bebé que vem ao mundo… processo que se repete desde toda a existência… e sempre, sempre se forma desde cedo a ideia de ser. Do “eu”. Que não é mais do que a ideia de que somos o acumular de memorias (elas também são ideias) ou seja, existindo apenas na nossa imaginação, são apenas ilusão. E este é um processo que nos distrai do que somos. Nos distancia de toda a nossa potencialidade.
Olhamos à volta e, vemos o sofrimento alheio em todos os rostos, vemos o sofrimento em tudo o que produzimos, pois passámos a ser máquinas de ideias. Computadores programados, para executar, rápido, bem e belo.
Nada contra a beleza, sortudos os que ainda a conseguem produzir em tamanha surrealidade de adormecimentos cómodos.

Mas queremos ser melhores, saber mais, produzir mais, superar as expectativas… mas o mundo passou a ser um desfile de excentricidade sofrida, e por mais que saibas, por mais que tenhas… és escravo de ti mesmo! És escravo de todas essas ideias, e por isso escravo do teu próprio pensamento!

Mas o pensamento é o pensador.
Tal verdade é libertadora e verdadeiramente empoderada. Passas a ser apenas o que És! E isso é tudo e é nada! A vida acontece num milagre brilhante e hilario. Admites a perfeição em tudo o que é.

Vives na fluidez das circunstancias sentindo o pulsar constante em ti.

Friday, December 16, 2011

Esclerose Múltipla (metafísicamente)

Mais de 50 mil pessoas estão afetadas na Alemanha por esse quadro de sintomas; no mundo, mais de dois milhões. Eles são em maior número nos países setentrionais que nos meridionais e as mulheres são nitidamente “preferidas”. A irrupção ocorre na maior parte das vezes entre o 20o e o 40o ano de vida com o que, considerando em retrospectiva, os rastros do quadro podem muitas vezes ser traçados até a infância. Já o nome esclerose múltipla nos dá indicações significativas. Esclerose, traduzido do latim, significa endurecimento. Esta expressão da medicina se refere ao sistema nervoso, mas define igualmente bem o padrão psíquico básico do afetado. Este caracteriza-se por uma extraordinária dureza contra si mesmo e contra o mundo, que freqüentemente se expressa em falta de consideração em relação às próprias necessidades e em fundamentos e concepções morais duros e, em parte, precipitados. Não é raro que os endurecimentos do sistema nervoso central encarnem o endurecimento de temas centrais para a vida. As conexões entre os nervos danificadas e especialmente às conexões dos nervos para os músculos, corresponde a falta de compromisso e a pouca disposição do paciente para a mediação entre suas próprias necessidades vitais e as exigências do mundo exterior. A medicina não está segura do fundamento físico da esclerose múltipla. A única certeza é a degeneração da capa de mielina que recobre os nervos, o que a longo prazo leva à perda da capacidade de condução nervosa.
A enfermidade tem tantas faces e sintomas que a princípio é freqüentemente mal diagnosticada. Estabelecido o diagnóstico, a medicina acadêmica[i] se cala a respeito, devido à implacabilidade e intratabilidade da doença. Esse procedimento, duvidoso em si mesmo, é especialmente absurdo com pacientes de esclerose múltipla já que, devido a seu padrão anímico, eles se vêem em uma situação desesperada sem diagnóstico. Como eles exigem funcionar mais do que bem e fazer tudo com perfeição, e além disso tendem a assumir eles mesmos toda a culpa, suas múltiplas deficiências os colocam em situações desesperadoras. Isso chega ao ponto de eles aceitarem o diagnóstico com verdadeiro alívio quando finalmente o recebem, já que este os libera definitivamente do ódio da simulação e da pressão sobre si mesmos e finalmente lhes dá um pretexto para relaxar ao menos um pouquinho o próprio perfeccionismo. Eles agora já não precisam mais poder tudo.
A tendência de ranger os dentes e culpar-se a si mesmo, aliada a uma certa teimosia, são também um perigo para as interpretações que se apresentam. Indica-se aqui uma vez mais que nunca se trata de avaliação, ainda que o idioma faça com que pareça ser assim, mas sempre de interpretação. Quando se interpreta a vida do paciente com todos os seus fenômenos, ela não se torna melhor ou pior; ela se transforma em significado.
Apesar de sua variedade, os sintomas circunscrevem um padrão básico. A sensibilidade dolorida da coluna vertebral, muito freqüente, decorre dos processos inflamatórios crônicos que se desenvolvem nas profundezas desse âmbito. Muitos afetados queixam-se de dores nos pés, o que denota como para eles é difícil o caminho, que na maioria das vezes não é o deles mesmos. As dores nos pés e nas pernas mostram como lhes é doloroso agüentar o caminho que está sendo percorrido. Elas forçam à condescendência, a assumir a própria dolorosa fraqueza. O fato de que se continue afirmando que a doença transcorre sem dores deve soar macabro aos ouvidos daqueles que dela sofrem.
As perturbações da sensibilidade expressam que os afetados não mais sentem e, com isso, não mais percebem em muitos campos do corpo e da alma. Eles não percebem nem mesmo quando o médico lhes toca o corpo com uma agulha. Eles não percebem mais nem mesmo coisas que os roçam e que ameaçam feri-los; eles se desligaram. Pode-se de fato falar de um desligamento do mundo exterior e de seus efeitos. Tal desligamento explicita-se também em outros sintomas tais como o enfraquecimento dos reflexos, que pode chegar à perda total dos reflexos. Os reflexos são as respostas mais simples que o sistema nervoso dá aos estímulos. As pessoas sem reflexos perderam as mais antigas possibilidades de reação ao ambiente que herdaram, ou seja, que lhes foram dadas. Eles não reagem no sentido mais verdadeiro da palavra. Por mais que sejam estimulados, eles permanecem mudos e - no sentido mais profundo - não respondem mais à vida e suas exigências. A isso corresponde a apatia, que muitas vezes surge em fases. A palavra "apatia" vai um passo além em seu significado literal, já que quer dizer "não sofrer" (do grego a = não e pathos = sofrimento). Com isso ela caracteriza, além da frouxidão típica, a recusa de participar da vida e de compadecer-se. É verdade que os pacientes tentam fazer tudo corretamente para todos, mas sem engajamento interno. Como é que eles podem participar da vida de outros quando eles não simpatizam com a própria vida, como demonstram as perturbações da sensibilidade. Sensações de surdez são freqüentemente os primeiros sintomas e podem começar tão paulatinamente que às vezes os afetados somente tomam consciência de sua situação mais tarde.
Aliada a isso está a perda de energia que surge em quase todos os casos. Os pacientes pouco a pouco se dão conta de que tudo lhes custa muito esforço e que as atividades cotidianas mal podem ser levadas a cabo. A vida, no mais verdadeiro sentido da palavra, custa demasiado esforço. Finalmente eles, muitas vezes, não podem mais erguer as pernas. Em sentido figurado, a fraqueza que se impõe impede o progresso e a ascensão na vida, apesar da freqüente ambição. Com as pernas que não mais sustentam, o corpo sinaliza que a base da vida perdeu sua capacidade de suporte. A paralisia corporal externa é uma reprodução da interna. A princípio os pacientes ainda tentam muitas vezes arrastar-se pela vida, agarrando-se a cada parada e a cada palha. Mesmo quando já estão há muito capengas, eles negam-se enquanto podem a valer-se da ajuda de uma terceira perna, que volta a ampliar a base da vida. Assim como a bengala, até mesmo a cadeira de rodas, cercada de uma aura de horror, pode trazer enorme alívio quando os pacientes acedem a aceitar auxilio.
A deficiência de força, que chega a surtos de paralisia nos dedos e nas mãos, mostra que falta força para tomar nas mãos a própria vida. Não pode haver coincidência maior em ambos os planos. A situação interna, sentida como paralisada, corresponde aos surtos de paralisia.
O cansaço paralisante que surge em muitos casos se adapta igualmente a esse quadro. Vários pacientes chegam a dormir até dezesseis horas e o sono consome mais da metade de suas vidas. Não é raro que eles descrevam seu estado após o despertar tardio como “entorpecido". O entorpecimento em relação à própria vida e suas necessidades é característico. A recusa sentida demonstra que já se desistiu do curso da vida e já não se deve mais esperar a busca de um objetivo com as próprias forças. É verdade que popularmente costuma-se dizer que cansaço não é doença, mas essa forma que consome toda a vida vai muito além do cansaço resultante do desgaste de energia. Evidentemente há aqui a participação de uma certa quantidade de defesa contra uma vida fraca que foi forçada para o corpo. Os pacientes afirmam freqüentemente que prefeririam dormir ao longo de todas as suas misérias. Por outro lado, o dispêndio de energia é também muitas vezes enorme. Para os pacientes, tudo é tão fatigante que até mesmo coisas insignificantes os deixam extremamente cansados. A faca da cozinha pode ser pesada demais quando o próprio braço já é sentido como um lastro. Tais pesos plúmbeos denotam a carga que oprime os afetados também em sentido figurado. Suspeita-se que em algum lugar há um furo por onde a energia escorre. É provável que a medicina tenha encontrado esse buraco: pesquisas sobre o sistema imunológico vêem na esclerose múltipla uma doença de auto-agressão. Todas as energias disponíveis são utilizadas na luta contra si mesmo, de modo que sobra pouco para a vida externa.
Outros sintomas afetam a bexiga, aquele órgão com o qual nos aliviamos mas com que podemos também pressionar. Também nesse caso, a fraqueza está em primeiro plano em muitos pacientes de esclerose múltipla. Eles não podem mais reter a urina, e a bexiga a deixa escapar à menor oportunidade. O sintoma força um retorno à situação da primeira infância, com sua incapacidade de controlar as funções fisiológicas e a própria vida. Os pacientes de EM deixam fluir embaixo, onde ninguém mais pode notá-las, as lágrimas não choradas acima - que eles, em sua ausência de reação e bloqueio das sensações não podem admitir. Esse choro transposto pode também voltar a transformar-se em verdadeiro choro quando a doença se desenvolve completamente e as medidas de defesa, com o sofrimento, tendem a desmoronar. Não é raro então que o paciente se torne extremamente choroso, o que é muito doloroso para ninguém mais que o próprio afetado. Qualquer insignificância, uma cena de filme tocante ou algo parecido, libera o fluxo anímico estancado por tanto tempo e provoca um banho de lágrimas. Ou então as lágrimas escorrem constantemente, mostrando aos pacientes como eles deveriam ter chorado (animicamente). Uma vida seca de sentimentos não corresponde evidentemente à sua determinação, e os olhos sempre úmidos mostram como eles, no mais íntimo, se sentem tocados. Isso é valido em geral para a insensibilidade e a dureza voltadas para fora. Onde o dique se rompe, surgem explosões de sentimento que mostram uma pessoa totalmente diferente.
Nas inflamações da bexiga encarna-se o conflito relativo a soltar, aliviar-se. Este conflito se torna uma necessidade ardente. O sintoma o força a fazê-lo constantemente, sem que possa dar muito de si e de sua alma. Ele demonstra não somente como o alívio é necessário mas também como ele é difícil e como é sentido de maneira dolorosa.
A retenção da urina, que ocorre igualmente e que é praticamente o contrário da fraqueza da bexiga, encarna a extrema reserva em relação às coisas anímicas. O fato de que a incontinência chorosa da urina possa alternar-se com sua total retenção mostra como todo o fenômeno é independente da corporalidade pura. A retenção do próprio fluxo anímico é um sintoma característico da situação anímica básica.
Os problemas de linguagem que ocorrem ilustram o mesmo drama. As perturbações para encontrar palavras mostram que aos pacientes faltam palavras. Eles estão sem fala. Sua auto-expressão fica sensivelmente perturbada quando se torna problemático construir uma frase em determinado contexto. A dificuldade em construir uma frase inteira que seja completa em seu sentido para preservar o contexto é outra característica que deixa clara a perturbação do contexto geral. A coordenação de partes relacionadas umas com as outras está perturbada. A vida vivida é incompatível com o próprio ser. Os problemas de coordenação são também decisivos em outros âmbitos. Eles incapacitam os pacientes antes ainda das paralisias, levando ao típico andar inseguro que lembra o de um bêbado. Os afetados titubeiam pela vida e somente podem dispor de seus músculos de forma muito limitada. Essa indeterminação é geral. O quadro de sintomas evolui em altos e baixos tão imprevisíveis que os pacientes somente podem confiar no momento.
O ponto fraco dos afetados no plano corporal é a conexão entre nervo e músculo. De acordo com a medicina acadêmica, a EM trata-se sobretudo de uma inflamação degenerativa nervoso-muscular, um conflito crônico, portanto, no ponto de conexão entre a condução de informação e os órgãos de movimento que a executam. A transmissão de informações é colocada em questão. No caso da dificuldade em encontrar palavras, os pacientes não mais transmitem suas informações ao marido ou à esposa, perdendo assim uma possibilidade substancial de exercer influência sobre o meio ambiente. Na medida em que não podem mais influenciá-lo com palavras, eles perdem também a capacidade de governá-lo. A perda do controle verbal é uma ameaça terrível para pessoas cujo controle interno se estende sobre tudo. Caso a influência seja exercida através da escrita, a iminente paralisia do braço pode gerar grande angústia. A explicação para o extraordinário grau de organização, tanto dos enfermos individuais de EM como de toda a comunidade que compartilha esse destino, está nessa tendência de controlar e exercer influência. Eles até mesmo chegam a ajudar outros doentes em seus esforços fundamentais. Especialmente os pacientes que superaram seus próprios problemas encontram aqui um campo para seu padrão interno. Desde que não seja utilizado para desviar-se das próprias tarefas e sim, ao contrário, para reconhecê-las no espelho de outros doentes, há aqui uma solução magnífica.
Os problemas de memória apontam na mesma direção. Os pacientes não reparam mais em nada, não retém nada e, assim deixam de participar das conversas. Eles não são mais responsáveis, eles não são nem mesmo capazes de responder concretamente, seja às exigências do interlocutor ou às da vida. É óbvio que quem não pode responder tampouco pode arcar com nenhum tipo de responsabilidade. Os pacientes ativos e orgulhosos raramente querem perceber aquilo que o quadro de sintomas deixa tão claro, e eles freqüentemente se negam a aceitar a invalidez, já que ela justamente os exime da obrigação de ser responsáveis por si mesmos.
A perda da capacidade de concentração mostra a incapacidade de permanecer em uma coisa. Os pacientes de EM têm fundamentalmente a tendência de ater-se com rigor a pontos de vista, mesmo quando raramente estão em posição de defendê-los contra outros e até mesmo de impô-los. Eles têm a exigência de uma firmeza e uma fidelidade aos princípios que chega à rigidez e à obstinação. O declínio da capacidade de concentração, assim como a incontinência da bexiga, é uma tentativa de auto-ajuda do corpo. Sem concentração torna-se impossível para o afetado persistir trilhando os caminhos aos quais está acostumado. Ao contrário, eles são atirados fora da pista o tempo todo, esquecem o assunto e precisam orientar-se novamente.
Eles certamente também perdem a realidade de vista de maneira muito concreta, já que o sentido da visão também se deteriora com freqüência. Nas raras visões luminosas, tais como relâmpagos claros, pode-se ver a tentativa do organismo de acender uma luz para o paciente em relação à sua percepção. Eles evidentemente vêem coisas que não existem. Muitas vezes véus recobrem os olhos e ocorrem surtos periódicos de cegueira. Quando exatamente meio campo de visão desaparece, a interpretação é simples: só se vê ainda uma metade (a própria) da realidade. Imagens duplas, que surgem com freqüência, denotam uma duplicidade de interpretação e de sentido bastante perigosa. Expressões como "fundo duplo" ou "dupla moral" dão a entender a qualidade que aqui participa. Faz parte também desse contexto o fato de que as concepções morais e éticas são muitas vezes tão estritas que o que é simplesmente não pode ser. As imagens duplas também podem apontar para isso. A realidade - sem que se perceba - é medida com duas medidas.
A dupla ótica dá a entender que se tenta viver simultaneamente em dois mundos incompatíveis. O mundo das próprias necessidades e o das exigências do meio ambiente são incompatíveis, razão pela qual a maioria dos pacientes decide, inconscientemente, atenuar de maneira drástica os próprios sentimentos e percepções ou simplesmente não mais perceber. Entretanto, as imagens duplas mostram que as idéias próprias continuam existindo na sombra e a partir daí entram em concorrência com o mundo externo. Os pacientes de EM são, por assim dizer, crianças de dois mundos (em luta um como outro). Eles não podem levantar-se inteiramente em nenhum desses mundos e sentam-se entre os assentos. Duas percepções que não se coadunam fazem muitas vezes com que uma delas se torne vertiginosa. O mecanismo é o mesmo do enjôo quando se viaja de navio. Simplesmente, uma vertigem se faz presente.
As freqüentes perturbações do equilíbrio encaixam-se aqui. Elas mostram quão pouco os pacientes estão em harmonia, animicamente falando. Eles se movem sobre um solo oscilante. Muitas vezes, a experiência é descrita como se o subsolo (o solo da vida?) afundasse, é preciso lutar para mover-se para a frente como quem caminha sobre areia movediça ou como um equilibrista na corda bamba. A sensação de que o chão desaparece sob os pés do afetado como se ele estivesse bêbado mostra quão pouco firme e confiável é o contato com a própria base e o enraizamento no solo anímico. O medo de precipitar-se de pontes estreitas mostra a ameaça da vida e a proximidade do abismo ao caminhar pela crista. De fato, o risco de precipitação toma-se mais próximo com o progresso do quadro de sintomas. A sombra não vivida ameaça atrair o paciente para sua área de influência. Isso torna-se especialmente perigoso quando a essa oscilação somam-se fraqueza e perturbações na sensibilidade das pernas, que com freqüência parecem extremamente pesadas ou como se estivessem dormentes.
A estrutura de personalidade resultante, por um lado, está impregnada do desejo de controlar e planejar tudo com antecedência e, por outro, da falta de uma reação adequada frente aos desafios. Assim que algo vai contra suas concepções fixas e freqüentemente rígidas, surgem resistência e angústia nos pacientes. O considerável medo do fracasso e a falta de autoconfiança, no entanto, impedem que eles dêem expressão à sua indignação. Para quem está de fora, essa mistura dá facilmente a impressão de teimosia.
Para o afetado, a repressão de todos os impulsos vitais próprios, reações e respostas à vida é praticamente inconsciente. Quando ela se torna rudimentarmente consciente, ocorrem também às vezes ultracompensações e uma sede de viver especialmente demonstrativa. A rigidez e as concepções fixas contrastam com a tendência de fazer justiça a tudo. Com isso, os pacientes negligenciam suas próprias necessidades, o que os torna internamente irados. Em boa medida incapazes de impor-se e externar agressões, eles as dirigem para dentro, contra si mesmos. A explicação médica da EM como uma enfermidade de auto-agressão explica para onde vai a energia. Frases típicas durante a terapia são: "Eu não vivi”, "Meu casamento foi um único auto-sacrifício", "Eu passei a vida pedindo desculpas", "Eu nunca me permiti uma fraqueza" ou "Eu me afastei tanto de mim mesmo”.
A problemática sexual desempenha um papel muito substancial, especialmente disseminada entre os homens e que vai da impotência à ejaculação precoce e à incapacidade de atingir o orgasmo. Devido ao posicionamento de vida dos pacientes, voltado para o exterior, é especialmente difícil que eles não façam comparações em suas valorações. Todo comportamento dirigido para o orgulho e a concorrência, que é fundamentalmente impeditivo no âmbito sexual, passa por terapias drásticas e a tendência geral do quadro de sintomas de impor a fraqueza é ainda mais incentivada.
Por um lado os sintomas tornam a pessoa sincera e, por outro, explicitam a tarefa de aprendizado e apontam o caminho. O endurecimento e a fixação exigem a consecução firme e conseqüente das próprias necessidades vitais e encontrar força em si mesmo. Uma forte autoconfiança precisa tornar-se a base da vida anímica e substituir o endurecimento dos nervos físicos. Só vale a pena ambicionar ter nervos de aço em sentido figurado. Pacientes de EM, com o medo que têm de ver a si mesmos - para não falar em realizar-se - tendem a fazer-se pequenos, desamparados e apáticos.
A liberação da fraqueza, em última instância, está na entrega, em assumir o ceder e o deixar acontecer impostos pelo corpo. k desistência da luta torna-se tarefa. A necessidade raramente externada que os pacientes de EM têm de planejar, dirigir e controlar tudo de acordo com suas concepções é submetida a terapia pelo destino. É somente quando se logra uma liberação das exigências do meio ambiente que se deve voltar a transformar o egoísmo conquistado e primariamente saudável e submeter-se a uma vontade superior. “Seja feita a Sua vontade, não a minha!” Mas antes que tais elevados ideais religiosos tenham uma chance, é necessário parar internamente sobre as próprias pernas. A necessidade de afirmar a si mesmo é dirigida por uma existência-sombra e é vivida quase exclusivamente nos sintomas da doença. É possível exercer poder com o diagnóstico de EM, o que raramente é visto e é freqüentemente combatido. A tarefa não pode estar em mais entrega às exigências do ambiente, mas em primeiro lugar em uma entrega às próprias necessidades e, em última instância, a Deus, ou seja, à unidade no sentido do "Seja feita a Sua vontade!". A entrega ao ambiente somente poderia atuar de forma redentora quando a obediência cadavérica e o seguir contrariado oriundos da fraqueza tornarem-se participação levada internamente, tal como acontece com freqüência quando os pacientes intervêm em favor de seus colegas de sofrimento. A exagerada necessidade de sono e o cansaço paralisante acentuam a noite e, com ela, o lado feminino do dia, alojando no coração dos pacientes. Os próprios sentimentos, sonhos e fantasias e seu espaço vital tornam-se tarefa de vida.
Dores na coluna dirigem a atenção para a luta pela própria linha e pela temática da retidão, que vibra também em outros sintomas. A tendência à tontura contém, além disso, a exigência de girar junto com o mondo, colocar em questão a certeza e o mundo aparentes dos próprios princípios e concepções morais e colocar novamente em movimento a rigidez de pontos de vista daí decorrentes. Os caminhos já percorridos e as concepções encalhadas que se tem por diante e que, portanto, estão no caminho, devem ser sacudidos e tornar-se vacilantes.
As imagens duplas indicam, entre outras coisas, que há ainda uma outra realidade ao lado da usual e que a vida tem de fato um chão duplo. Aquela autoconfiança que tanta falta faz aos pacientes de EM somente pode crescer a partir da confiança nesse segundo plano, o plano divino que contém todos os planos humanos.
A bexiga incontinente quer incitar a que se deixe fluir as lágrimas, aliviando a pressão da represa anímica em todas as oportunidades. A irritação da bexiga dirige a atenção para o conflito a respeito do tema "aliviar", "soltar". A retenção da urina, uma completa reserva e renúncia ao intercâmbio com o mundo, em seu sentido redimido sugere que se reflita sobre si mesmo, utilizando para si as energias anímicas: em vez de reserva e retirada, reflexão e consideração por si mesmo.
As perturbações da sensibilidade também apontam nessa direção: com a sensação do próprio corpo e a capacidade de sentir o mundo externo, é evidente que o mundo exterior com todas as suas exigências deve ter sido arrancado da consciência do afetado. O que resta como tarefa é aprender a tocar e sentir o mundo interno, que se tornou curto demais. A indicação apontando para o íntimo pode ser lida também nos surtos de paralisia. Quando as pernas não agüentam mais, evidentemente não se deve mais sair para o mundo, toda a correria pelos outros, ou seja, pelo reconhecimento através dos outros, terminou. Andar para dentro é a única possibilidade que permanece aberta. Quando as mãos ficam sem força, de maneira correspondente deixa de ser seu objetivo agarrar o mundo exterior para nele estampar seu próprio selo. A tarefa de tomar nas mãos a própria vida interna, ao contrário, continua sendo possível e adquire primazia.
A auto-reflexão que vai mais longe leva a imagens arquetípicas tais como as conhecem os mitos e a religião. Portanto, a tarefa mais abrangente, que pelo menos surge no horizonte em todos os quadros de sintomas, é a reflexão última e final sobre a pátria anímico-espiritual primordial do ser humano. Em sintomas que ameaçam terminar com essa vida ou limitá-la drasticamente, essa tarefa torna-se especialmente importante. Esse tema é acentuado ainda mais em um quadro de sintomas tal como a esclerose múltipla que, mais além dos sintomas, tão enfaticamente procura forçar uma retomada de relações consigo mesmo e com o próprio mundo interior. Com isso, o afetado aproxima-se do tema da religio, a religação com a origem no sentido religioso. E as grandes questões da existência humana saem do mundo das sombras para a luz da consciência:
"De onde venho?" - "Para onde vou?" - "Quem sou eu?"

Perguntas
1.    Por que sou tão duro comigo mesmo e julgo tão duramente os outros e mesmo assim tento fazer tudo certo para eles?
2     Onde eu tento controlar meu meio ambiente ou a mim mesmo sem estar em condições de fazê-lo?
3.    Que alternativas há neste mundo para meus inamovíveis pontos de vista sobre a vida, sua moral e sua ética?
4.    Como poderia aliviar a minha vida? Onde poderia ter mais paciência comigo mesmo? Como encontrar minhas fraquezas, posicionar-me em relação a elas?
5.    O que me impede de participar da vida? O que leva a que eu me desligue? Que possibilidades tenho de incorrer em stress, exigências exageradas e consumição?
6.    O que paralisa minha coragem anímica? Que resistência me deixa cansado?
7.    Por que eu me ensurdeço? Onde eu me finjo de surdo? Para que estou cego?
8.    Em que medida dirijo minha energia principal contra mim mesmo?
9.    Onde posso perceber em minha vida o fluxo anímico que vaza de minha bexiga? Onde as lágrimas estão atrasadas, onde elas são supérfluas?
10.   Até que ponto sou capaz de responder à vida e assumir responsabilidades? Por que alimento expectativas em lugar de escutar a mim mesmo? Como passo da determinação pelos outros para a responsabilidade própria?
11.   De que maneira as correntes de minha alma se relacionam em um padrão? Qual é sua ordem natural? O que está em primeiro lugar? Como podem ser coordenadas as ordens externa e interna?
12.   O que me impede de encontrar abertamente o incalculável e o mutável de minha vida?
13.   Como posso incluir-me no grande todo e encontrar o sentido de minha vida sem prejudicar minha identidade anímica?




[i] Além da cortisona, de efeitos bastante discutidos, atualmente a medicina acadêmica não tem nenhum outro remédio para a EM.

(extraído do livro "A doença como linguagem da alma")


Qualquer doença é manifestação de desequilíbrio da harmonia inerente á existência. Permita se conhecer.